Rainha das urnas? O que os votos dizem sobre a chapa da prefeita.
Os números derrubam a rainha das urnas
Os aliados chamam a prefeita de rainha das urnas e dizem que ela deu mais votos que toda a oposição junta. Os números de 2026 mostram o contrário. Marcelo Gouveia teve 4.951 votos para deputado federal e Gustavo Gouveia teve 3.165 para deputado estadual. Nos dois cargos, a oposição à prefeita soma mais votos que cada um deles. Os percentuais usam a base de 18.980 votos válidos.
Quase três em cada quatro eleitores votaram em outro nome
Marcelo teve 26,1% dos votos válidos e Gustavo 16,7%. Isso quer dizer que 73,9% dos eleitores não votaram em Marcelo para deputado federal e 83,3% não votaram em Gustavo para deputado estadual. A chapa da prefeita tem a máquina da prefeitura, e mesmo assim a maior parte da cidade foi para outro lado. Para uma rainha das urnas, são muitos súditos votando em outro nome.
A chapa aparece na frente porque o resto dos votos se dividiu. Para deputado federal, os outros principais candidatos somaram 14.029 votos, quase o triplo dos 4.951 de Marcelo. Sete nomes de oposição à prefeita já bastam para passar Marcelo, Lucas Ramos (1.257), Pedro Campos (1.051), Gabriel Porto (864), Jones Manoel (709), Silvio Costa Filho (639), Liana Cirne (394) e Rosa Amorim (339). Juntos somam 5.253 votos. Para deputado estadual, os outros principais candidatos somaram 15.815 votos, quase cinco vezes os 3.165 de Gustavo. Quatro nomes de oposição já passam ele, Antonio Moraes (1.230), Francismar Pontes (1.019), Sileno Guedes (638) e Diogo Moraes (435). Juntos somam 3.322 votos. Henrique Queiroz, com 734, fica fora dessa soma porque um dos vereadores que o apoiaram votou em Marcelo e é da base da prefeita, se computar os votos da oposição que votaram nele a diferença é ainda maior. Esses nomes não formam um bloco e cada um tem sua liderança. A frase de que ela deu mais votos que toda a oposição junta não resiste a essa conta.
Raquel teve menos votos em 2026 do que em 2022
Raquel Lyra teve menos votos em Nazaré da Mata no primeiro turno de 2026 do que os 12.028 que teve no segundo turno de 2022.
A comparação usa o primeiro turno de 2026 porque é o resultado de 2026 que existe, e o segundo turno de 2022 porque foi a maior votação dela na cidade naquele ano. No primeiro turno o voto ficou espalhado entre muitos candidatos de peso. No segundo turno a disputa fica polarizada entre dois candidatos, e o resultado mostra com mais clareza a escolha real do eleitor da cidade.
O voto veio de estrutura, e a estrutura é coletiva
A folha da prefeitura tinha 927 servidores contratados e comissionados em agosto de 2026, entre 719 contratados e 208 comissionados. Isso é cerca de 62% dos 1.497 servidores ativos e 4,9% dos votos válidos. Os dados vêm do quadro funcional da própria prefeitura.
O segundo pilar são os vereadores. Nove vereadores de mandato apoiaram Marcelo para deputado federal, com 6.049 votos na eleiçao de vereador em 2024, e cinco apoiaram Gustavo para deputado estadual, tendo obtido na eleição de vereador 3.282. Somam-se sete suplentes citados, com 2.551 votos. A base de 2024 chegava a 8.600 votos de vereador e suplente.
A estrutura também vazou. Entre os votos para deputado federal e para deputado estadual a diferença é de 1.786 votos. Apoiadores que votaram em Marcelo para deputado federal foram para Henrique Queiroz, Francismar Pontes e Lara para deputado estadual. O voto local e a máquina municipal ajudam a ler esse quadro.
Cada aliado deu a sua parte
Chamar alguém de rainha das urnas apaga quem trouxe o voto. Cada vereador levou os votos dele, cada suplente levou a estrutura de voto, e cada secretário e servidor levou a família. A influência pessoal de quem lidera a opinião na rua aponta para isso. O voto anda pela relação de perto, e não pelo título de quem comanda.
Falta à chapa da prefeita a humildade de reconhecer isso em público. Cada aliado deu uma contribuição, e a conta que atribui tudo a uma pessoa só diz ao aliado que o trabalho dele não pesou.

Quantos votos cada liderança deu ao seu candidato?
O critério é simples. Pegamos os votos de cada candidato e dividimos pelo número de lideranças que declararam apoio a ele, contando a liderança e os vereadores de mandato. Para a chapa da prefeita contam também além de vereadores, a própria prefeita e os 7 suplentes citados. A chapa soma 17 apoios para deputado federal, com a prefeita, 9 vereadores e 7 suplentes, e 13 para deputado estadual. Cada apoio rendeu 291 votos para Marcelo (4.951 divididos por 17) e 243 para Gustavo (3.165 divididos por 13). Na eleição municipal de 2024, os 9 vereadores de mandato da chapa tiveram entre 518 e 972 votos cada um, e os 7 suplentes entre 230 e 477. Juntos, vereadores e suplentes somaram 8.600 votos, e Marcelo fez 58% disso. Para estadual a base era de 5.833 votos, e Gustavo fez 54%. Os 927 servidores ficam fora da conta. Se entrassem, o índice da chapa cairia para 5,2 e 3,4 votos por pessoa.
Dividindo os votos pela quantidade de lideranças que apoiaram cada um, Antonio Moraes, apoiado por Nino, foi o campeão, com 1.230 votos e 1 apoio. Francismar Pontes, apoiado por Kiko e por um vereador, fez 1.019 votos com 2 apoios e rendeu 510 por apoio. Diogo Moraes fez 435 votos com 1 apoio. Lara Santana fez 1.115 votos com 3 apoios, dois vereadores e uma secretária da base da prefeita, e rendeu 372 por apoio. Todos ficaram acima dos 291 de Marcelo e dos 243 de Gustavo. Henrique Queiroz fez 734 votos com 3 apoios e rendeu 245 por apoio, acima de Gustavo e abaixo de Marcelo.
O que os números mostram?
A chapa da prefeita fez 26,1% dos votos válidos para deputado federal e 16,7% para deputado estadual. Três em cada quatro eleitores votaram em outro nome. A oposição soma mais votos que a chapa nos dois cargos, com 5.253 contra 4.951 no federal e 3.322 contra 3.165 no estadual. Por apoio, Antonio Moraes, Francismar Pontes e Diogo Moraes renderam mais votos que Marcelo e Gustavo, e Lara Santana também, com apoiadores da base da prefeita. A rainha das urnas e a frase da oposição junta não resistem aos números.